sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Política - Um ditador a menos
Trinta anos no poder, governando em estado de emergência. Que o povo Egípcio tenha sabedoria na construção dos novos dias, que a democracia se estabeleça e que tenham mais sorte com políticos honestos que temos tido! Viva a Democracia!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Somos Um: O que você tem a dizer para o mundo?
Há coisas que escrita por outros enchem nossas almas. Acredito nisto que o Nizan descreve, por isto publicarei na íntegra. Pode até parecer longo, na verdade é completo.
NIZAN GUANAES na Folha de São Paulo dia 8/2/2011
Não é o dinheiro, estúpido
SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais. Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.
Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.
Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.
É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.
Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.
E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.
A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.
Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.
A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. (com todos seus defeitos e robalheiras a democracia ajudou a criar o país de nossos sonhos, há muito que fazer, serão conquistas futuras, comentário do Zé)
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.
É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).
Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.
Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.
Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.
Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso". Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.
Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.
Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?
NIZAN GUANAES na Folha de São Paulo dia 8/2/2011
Não é o dinheiro, estúpido
SOU, COM FREQUÊNCIA, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais. Há uma palestra que alguns podem conhecer já pela web, mas queria compartilhar seus fundamentos com os leitores da coluna.
Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.
Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado.
É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração.
Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência.
Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro.
E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.
A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".
Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.
Meu segundo conselho: pense no seu país. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si.
Era muito difícil viver numa nação onde a maioria morria de fome e a minoria morria de medo. Hoje o país oferece oportunidades a todos.
A estabilidade econômica e a democracia mostraram o óbvio: que ricos e pobres vão enriquecer juntos no Brasil. A inclusão é nosso único caminho. (com todos seus defeitos e robalheiras a democracia ajudou a criar o país de nossos sonhos, há muito que fazer, serão conquistas futuras, comentário do Zé)
Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laodiceia.
É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso (ou narra e fica muito chato!).
Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido.
Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.
Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.
Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".
Toda família tem um tio batalhador e bem de vida que, durante o almoço de domingo, tem de aguentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo o que faria, apenas se fizesse alguma coisa.
Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.
Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso". Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo.
Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global.
Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo?
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Somos Um e Política: Mercado, Estado e Distribuição de Renda
Por muito tempo neste país e no mundo, a questão da distribuição de renda era vista como uma bandeira do “comunismo” ou dos padres de “esquerda”.
A guerra fria criada entre soviéticos e americanos traduzia o espírito de guerra de idéias entre aqueles que acreditavam que o mercado era a melhor forma de alocação dos recursos e aqueles que viam o mercado como coisa a ser abolida em nome do bem comum.
Lado a lado esta divisão crescia na Europa a opção social-democrática, baseada na dissidência do marxismo do início do século e na teoria econômica keynesiana, a social-democracia ganha o aspecto de estado do bem-estar. Nele, o mercado é visto como forma legítima de expressão das relações econômicas da sociedade civil, mas se aceita suas limitações na criação de uma sociedade mais justa e autônoma. Também se reconhece a dificuldade de se encontrar o equilíbrio apenas pelas soluções de mercado.
Este modelo político econômico entrou em crise em 1973 com o aumento no preço do petróleo, a falência do sistema de pagamentos internacionais criado em Bretton Woods e o esgotamento da capacidade do estado do bem-estar em lidar com estas restrições.
De lá para 2008 o mundo viveu o apogeu do liberalismo, qual seja da opção por soluções de mercado para todas as questões econômicas e até políticas.
A queda do muro de Berlin e a enorme sofisticação do sistema financeiro internacional foram fruto disto. A economia mundial viveu também um período de ouro. Todos os problemas poderiam ser resolvidos com as soluções de mercado. O estado mínimo voltou a se tornar solução.
Não vou falar aqui das falhas de mercado que levaram à provavelmente maior crise financeira que este mundo que conhecemos já viveu e da qual apesar da reação correta dos governos, ainda não nos livramos e que trouxe a tona mais uma vez a necessidade da intervenção do estado na economia para sanar falhas de mercado.
Mas vou falar da questão da distribuição de renda. Se quisermos criar uma sociedade mais justa, melhor olharmos para esta questão. A julgar pelos que acreditam que o mercado resolveria todas as questões, estudos divulgados pela Veja da semana passada mostram que dos anos 90 aos anos 2000, piorou a distribuição de renda.
Instituições como o Fundo Monetário Internacional, que antes não se preocupavam com o assunto agora vêem esta questão como importante de se tratar para o equilíbrio dos mercados. Estudos mostram que sociedades com melhores distribuições de renda apresentam mais baixos índices de criminalidade e de violência urbana. Parece que agora, sem mais vestígios da guerra fria, sem mais a divisão ferrenha entre liberais e comunistas, estamos mais livres de nos posicionarmos a favor uma questão tão importante para a humanidade, uma sociedade menos desigual econômica e socialmente. Não é criar um caminhão cheio de robôs iguais, mas é permitir que o talento de cada um possa se dar, é dar condições para que todos tenham oportunidades de desenvolver sua potencialidade e que a riqueza seja também reconhecida como um bem coletivo.
Os programas de distribuição de renda são um começo para reduzir a desigualdade. Mas podem ser muito pouco se não estimular o interesse de quem o recebe de buscar se desenvolver para participar do processo criativo. Se não na geração que o recebe, pelo menos nas gerações seguintes. O mercado não resolve tudo, mas ele é a expressão da criatividade e da participação da coletividade individual. Se não for criado mecanismos que estimulem que as pessoas que recebem estes aportes financeiros participarem dos mercados, podem produzir efeito reverso ao que se intenciona. Em vez de criar uma sociedade autônoma, pode criar uma sociedade dependente.
Como um mosaico, o mercado reflete o todo construído de partes e das belezas individuais, mas também como um mosaico, se colocado de forma aleatória as partes individuais podem gerar um mosaico caótico e esteticamente desequilibrado. Assim mercados e estado devem se complementar para criar uma sociedade mais justa, menos desigual, com mais oportunidades para todos os seus participantes.
A guerra fria criada entre soviéticos e americanos traduzia o espírito de guerra de idéias entre aqueles que acreditavam que o mercado era a melhor forma de alocação dos recursos e aqueles que viam o mercado como coisa a ser abolida em nome do bem comum.
Lado a lado esta divisão crescia na Europa a opção social-democrática, baseada na dissidência do marxismo do início do século e na teoria econômica keynesiana, a social-democracia ganha o aspecto de estado do bem-estar. Nele, o mercado é visto como forma legítima de expressão das relações econômicas da sociedade civil, mas se aceita suas limitações na criação de uma sociedade mais justa e autônoma. Também se reconhece a dificuldade de se encontrar o equilíbrio apenas pelas soluções de mercado.
Este modelo político econômico entrou em crise em 1973 com o aumento no preço do petróleo, a falência do sistema de pagamentos internacionais criado em Bretton Woods e o esgotamento da capacidade do estado do bem-estar em lidar com estas restrições.
De lá para 2008 o mundo viveu o apogeu do liberalismo, qual seja da opção por soluções de mercado para todas as questões econômicas e até políticas.
A queda do muro de Berlin e a enorme sofisticação do sistema financeiro internacional foram fruto disto. A economia mundial viveu também um período de ouro. Todos os problemas poderiam ser resolvidos com as soluções de mercado. O estado mínimo voltou a se tornar solução.
Não vou falar aqui das falhas de mercado que levaram à provavelmente maior crise financeira que este mundo que conhecemos já viveu e da qual apesar da reação correta dos governos, ainda não nos livramos e que trouxe a tona mais uma vez a necessidade da intervenção do estado na economia para sanar falhas de mercado.
Mas vou falar da questão da distribuição de renda. Se quisermos criar uma sociedade mais justa, melhor olharmos para esta questão. A julgar pelos que acreditam que o mercado resolveria todas as questões, estudos divulgados pela Veja da semana passada mostram que dos anos 90 aos anos 2000, piorou a distribuição de renda.
Instituições como o Fundo Monetário Internacional, que antes não se preocupavam com o assunto agora vêem esta questão como importante de se tratar para o equilíbrio dos mercados. Estudos mostram que sociedades com melhores distribuições de renda apresentam mais baixos índices de criminalidade e de violência urbana. Parece que agora, sem mais vestígios da guerra fria, sem mais a divisão ferrenha entre liberais e comunistas, estamos mais livres de nos posicionarmos a favor uma questão tão importante para a humanidade, uma sociedade menos desigual econômica e socialmente. Não é criar um caminhão cheio de robôs iguais, mas é permitir que o talento de cada um possa se dar, é dar condições para que todos tenham oportunidades de desenvolver sua potencialidade e que a riqueza seja também reconhecida como um bem coletivo.
Os programas de distribuição de renda são um começo para reduzir a desigualdade. Mas podem ser muito pouco se não estimular o interesse de quem o recebe de buscar se desenvolver para participar do processo criativo. Se não na geração que o recebe, pelo menos nas gerações seguintes. O mercado não resolve tudo, mas ele é a expressão da criatividade e da participação da coletividade individual. Se não for criado mecanismos que estimulem que as pessoas que recebem estes aportes financeiros participarem dos mercados, podem produzir efeito reverso ao que se intenciona. Em vez de criar uma sociedade autônoma, pode criar uma sociedade dependente.
Como um mosaico, o mercado reflete o todo construído de partes e das belezas individuais, mas também como um mosaico, se colocado de forma aleatória as partes individuais podem gerar um mosaico caótico e esteticamente desequilibrado. Assim mercados e estado devem se complementar para criar uma sociedade mais justa, menos desigual, com mais oportunidades para todos os seus participantes.
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