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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Economia e Política: INCLUSÃO FINANCEIRA

O Banco Central do Brasil promoveu na última semana o II Fórum de Inclusão Financeira. Além do Presidente da República e Ministros, o Fórum reuniu participantes das comunidades carentes, dos bancos comunitários, da academia, do sistema financeiro e técnicos do próprio Banco Central, envolvidos nesta tarefa de permitir a expansão do crédito e das atividades financeiras para emancipação e autonomia econômica de parcela significativa da população brasileira.



Este blogueiro ficou encarregado de falar sobre os desafios da Inclusão Financeira para o desenvolvimento territorial. O tema é muito importante, pois o acesso a atividades financeiras, que permite a transferência de poupança de poupadores para empreendedores explicando o sucesso do desenvolvimento econômico, enquanto o não acesso ao crédito explica parte importante dos bolsões de pobreza, miséria e desolação social. Um melhor funcionamento da intermediação financeira aumenta a produção, reduz pobreza e permite o aproveitamento do potencial de cada ser humano.

Embora ninguém seja dono completo de sua vida, a pobreza limita muito a capacidade do ser humano se libertar e influir na sua história. O acesso ao crédito ajuda a cada ser humano realizar seus sonhos, se inserir na sociedade de forma autônoma e criativa, ser dono de sua própria história e gestor de seu próprio destino
O problema maior é que o poupador é prudente, pensa no futuro, mas não empreende, e o empreendedor é arriscado, viabiliza o futuro, mas não conta com a confiança do poupador.
Porém, sem emprestar não há inovações, nem novas atividades e assim não adianta poupar. Então soluções que melhorem a confiança do poupador nos investimentos ajudam ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social.

Em uma sociedade rica, os empreendedores podem dar garantias para tomar emprestado, mas em comunidades carentes estas garantias não existem, pois nestas não há emprego formal, endereço certo, garantias matérias. E isto dificulta a transferência de poupança para empreendimento em comunidades carentes. O não financiamento de idéias e projetos dificulta geração de renda pelos membros da comunidade, dificultando a melhora na qualidade de vida das comunidades carentes e a criação de garantias necessárias para o poupador externo ficar seguro do retorno de sua poupança. Acaba virando um circulo vicioso de pobreza.

Para sair deste círculo, a solução é criar garantias dentro da própria comunidade, para assegurar o retorno do dinheiro emprestado ao poupador. Para isto é preciso a redução das incertezas do poupador em emprestar para a comunidade e o uso auto-sustentável dos instrumentos financeiros, para que estes possam dar suporte de longo prazo a estas comunidades.

Como não tem garantias materiais, o crédito precisa ser garantido de outras formas, baseado nos laços de solidariedade, na proximidade física, na identificação de valores comuns, no aval e compromisso coletivo e solidário tanto para selecionar projetos e empreendimentos de interesse da comunidade, como para monitorar aplicação, usando a pressão social intra-comunitária para forçar os tomadores de crédito a aplicarem-no nos projetos que se comprometeram e a pagar o empréstimo para que o recurso possa voltar a ser emprestado a outros projetos. Quanto mais forte for laço solidário e de autogestão menor será taxa de default e assim menores os riscos da ação de empréstimo com conseqüente redução de juros. Quanto mais bem sucedidos forem estas operações financeiras e empreendimentos mais livre estará a comunidade do círculo vicioso da pobreza e mais apta estará ela de conceder a seus membros o direito de realizar seus sonhos e gerir suas histórias de forma autônoma.

Política: Brasil - apedrejamento de mulher é menos importante que amizade com Irã

O Irã condenou a morte por apedrejamento uma viúva que se envolveu com outro homem.
Mulheres viúvas deve ser lixo para a cultura Iraniana. Respeito as culturas e valores distintos, mas não acredito que devamos aceitar atrocidades em nome deste respeito.

Anos e anos atrás a humanidade se valeu do triste mecanismo da escravidão humana, da desculpa da cor da pele para submeter e explorar o outro. A humanidade também cometeu o mesmo erro de explorar e subordinar as mulheres. Mas o mundo mudou e sua pecepção humanista também. A história da humanidade desde o iluminismo é uma luta pela libertação do homem da exploração do homem e de sua exaltação do ser humano como co-criador.

Assim acredito que devemos condenar qualquer tentativa de trazer a escravidão de volta ou de subjugar a mulher como um ser humano inferior ao homem.

Mas o governo Brasileiro não acha isto. Em nome de uma diplomacia esquisita, o Brasil de Lula prefere se posicionar contra a maior parte dos países do mundo e ficar do lado de uma ditadura que condena mulheres a apedrejamento e morte lenta para punir uma mulher cujo crime foi amar um homem.

A organização das Nações Unidas condenou as amputações, as chibatadas e o apedrejamento como forma de punição no Irã. 80 países votaram contra estas formas de punição, o governo Brasileiro, em nosso nome, preferiu se abster.
Como um país que elege uma mulher presidente, não condena estas violências contra a mulher no Irã?

Somos Um

Quando criei o Blog tinha a intenção de criar um meio de comunicação com amigos e conhecidos.

A idéia era escrever algumas coisas sobre política – minha paixão, sobre economia - minha formação profissional e sobre humanismo – herança de meu pai Ajuricaba e meu tio-pai Egídio, e personagens como Romain Rolland, Victor Hugor, Dom Helder e tantos outros.

Mas veio a campanha de 2010 e o blog tomou um rumo mais partidário. Como social-democrata os artigos se identificaram mais com a candidatura do PSDB. Mas procurei nunca deixar uma visão mais ampla. Publiquei dias atrás um texto falando que os partidos vêm a realidade com um filtro ideológico, que os impede de ver o todo. Que se quisermos conhecer a realidade temos que ver os fatos por vários ângulos, usando vários filtros. Não é tarefa fácil, mas acredito ser o caminho.

Somos um é uma proposta humanista, uma proposta de ver o ser humano na sua similitude, respeitando suas diferenças. É reconhecer que temos diferenças de cor, de percepção, de sexo, de opções, de formação, de valores, mas na essência, somos muito parecidos. Somos um. Um corpo – o corpo humano, uma mente – a mente humana, uma necessidade comum - amar e ser amado, de fazer parte, de ser útil, de estar integrado e de ser pleno.

Por isto no texto do somos um digo que sofremos quando os outros sofrem e nos alegramos quando os outros estão alegres. Isto não significa que existam momentos distintos entre o eu e o coletivo. Dom Helder costumava dizer que “quando há contraste entre nossa alegria e um céu cinzento, entre a nossa tristeza e um céu sem nuvens, devemos bendizer o desencontro, pois é aviso divino de que o mundo não começa nem acaba em nós”, mas eu diria que é formado por nós.

Eu costumo ver as pessoas condenando e reclamando do outro sobre uma perspectiva deles. Estou cumprindo meu papel, dizem. Mas pergunto e se estivesse cumprindo o papel do outro, como agiria e a resposta é: igual ao outro. Assim não adianta condenar o outro, colocar a culpa no outro, responsabilizar o outro por tudo de ruim que acontece, uma vez que os outros somos nós com outra formação, outros valores, outra educação, outras oportunidades. Michelle Bachelet em uma entrevista antes de deixar a presidência do Chile chamava-no a atenção para a importância de se “colocar a sandália dos outros” para compreender a dor e a percepção alheia e assim poder aceitá-la de forma mais humana.

Por isto gosto de repetir, ninguém nasce bandido. Ninguém escolhe ser pobre, nem viver na rua e só compreendendo como o outro sente e pensa é possível a PAZ, com o outro e consigo mesmo. Isto é sermos Um

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Economia - Desindustrialização e Câmbio

O tema desindustrialização está na ponta da língua dos jornais e comentaristas. A apreciação cambial dos últimos anos, fruto, em parte da política de juros baixos e o conseqüente excesso de liquidez nas nações desenvolvidas tem sido apontada como uma das principais causas deste processo. Com a moeda nacional apreciada nosso produtos se tornam caros quando comparados internacionalmente e assim fica difícil vendê-los lá fora e fácil comprar importados aqui dentro.

Se a culpa é do câmbio, não é a apreciação recente que responde pela dificuldade de nossas importações. Mas um processo que vem desde a posse do presidente Lula, quando o câmbio beirava os R$ 4,00 por dólar e vem caindo desde então, atingindo valores inferiores a R$ 1,70 nos meses recentes. A crise internacional deu um fôlego de mais de uma no neste processo, pois em agosto de 2008 o câmbio estava na faixa de R$ 1,65 por dólar.

Mas a culpa não é do câmbio, um país que está se tornando mais rico e se inserindo em outro patamar de desenvolvimento terá uma apreciação cambial como conseqüência. A solução é aprender a produzir a custos mais baixos. Os empresários têm muita responsabilidade individual neste processo, buscando novas tecnologias, investindo em processos mais produtivos, investindo em tecnologia e pesquisa em suas áreas. Coletivamente estes empresários devem fazer nosso país entender que sem investimento em educação, em pesquisa, não vamos assumir papel de liderança no processo produtivo mundial. Vamos sim voltar às antigas restrições de balanço de pagamento ao crescimento e vamos estagnar.

Coletivamente, empresários e cidadãos têm que forçar o governo a gastar menos e melhor. Enquanto gasta aumentando salários e mordomias e esquecendo-se de importantes investimentos em infra-estrutura, o governo contribui para deixar as coisas como estão e levar-nos ao estrangulamento.

No processo de redução de custo de produção e de barateamento do escoamento da produção o governo federal tem papel preponderante. Seja via investimentos em infra-estrutura de malha viária, e principalmente ferroviária, seja no fortalecimento de portos e aeroportos, muito poder tem o governo central para corrigir as distorções de preços relativos e baratear nossos produtos em relação ao exterior. Reformas no sistema tributário que reduzam a carga tributária do setor produtivo pode fazer muito pelo Brasil e aqueles que vivem nele.

Quem quer voltar aos anos 80, quando era proibido importar? Ao invés de voltarmos às antigas restrições às importações, devemos olhar para frente e ver como podemos produzir a custos mais baixos.

Reduzir gastos públicos também ajuda, pois abre espaço para redução das taxas de juros domésticas, barateando o financiamento da produção doméstica e diminuindo o incentivo à apreciação cambial pela atração do capital externo.

É o desafio do governo que vai, e do que entra, para os quais a maior parte dos brasileiros depositou suas esperanças.